Indignados, prefeitos prometem ir ‘até às últimas consequências’

Por Thiago Lima 28/05/2020 - 13:07 hs

Após anúncio do governo do Estado de que o Grande ABC – e toda a Região Metropolitana – ficou de fora da primeira fase de flexibilização e reabertura gradual de comércios e serviços não essenciais em São Paulo, prefeitos da região usaram as redes sociais para se manifestar contrários à decisão do governador João Dória (PSDB) e prometeram acionar o Ministério Público e ir “até às últimas consequências” para que o “erro seja corrigido”. Segundo os chefes dos Executivos, não há razão para a liberação da Capital e manter as sete cidades com todas restrições.




Grande ABC está na fase 1 da flexibilização, a mais rígida, enquanto a Capital está na 2

Confira, abaixo, como funcionam as fases do plano e a nota, na íntegra, do Consórcio:

  • 01 vermelha: alerta máximo, funcionamento permitido somente aos serviços essenciais;

  • 02 laranja: controle, possibilidade de aberturas com restrições; 

  • 03 amarela: abertura de um número maior de setores; 

  • 04 verde: abertura de um número maior de setores em relação à fase 3;

  •  05 azul: “Normal controlado” – todos os setores em funcionamento, mas mantendo medidas de distanciamento e higiene; 

No início da noite, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), um dos principais aliados políticos do governador João Doria, teceu duras críticas ao amigo. “Costumo dizer que aliado não é alienado. Estou indignado com a decisão. Não vou ser covarde e incoerente. Pedi agenda com os promotores de São Bernardo para apresentar os dados da cidade que são bem melhores que os da Capital (veja na arte ao lado) e se preciso for vamos acionar a Justiça”, esbravejou Morando. “Quero que um infectologista venha a público e me mostre com dados que a Capital tenha situação melhor do que São Bernardo para flexibilizar a quarentena. Sempre segui a ciência e quero que a ciência seja seguida.”


O prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), gravou um vídeo também inconformado com a decisão do Estado. “Incluir a Capital e deixar de fora Santo André e o Grande ABC é um grande absurdo, por que deixou de fora os critérios científicos. Os índices da nossa cidade são muito melhores que os da Capital. Nunca misturei política na tomada de decisões. Iremos até as últimas consequências para ter a autonomia de volta”, garantiu.


Em São Caetano, o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB) também fez transmissão ao vivo para mostrar seu descontentamento. “Espero que haja uma revisão do governo e do comitê de contingenciamento porque houve um equívoco. Nossas decisões são amparadas em critérios técnicos e deveríamos estar pelo menos na Faixa 4 (verde). Vamos aguardar a revisão do governo ou iremos até as últimas consequências para que o erro seja corrigido”, prometeu.

O prefeito de Diadema, Lauro Michels, postou boletim em que disse "mudaram todas as regras no fim do jogo sem falar com os prefeitos". Segundo ele, "fizeram uma mágica para que a Capital se encaixe na fase 2, o local com maior número de mortos. Como será com os bairros que fazem limite com São Paulo?". Michels continuou: "precisamos agir com responsabilidade, é muita politicagem"

Nota oficial - Nova fase em São Paulo o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, representado pelas 7 cidades da região esclarece que recebeu com profunda indignação e surpresa o comunicado feito pelo governador do Estado de São Paulo, que a Região de São Paulo teve análise diferenciada da região Metropolitana de São Paulo  nesta nova fase de retomada econômica. 

Lembrando que o ( DRS1 ) Departamento Regional de Saúde responsável por cuidar do planejamento da Região Metropolitana é o mesmo responsável por cuidar das diretrizes  da Capital.

O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC  voltará a se reunir nesta sexta-feira (29/05) as 10 hrs, por videoconferência, com os prefeitos da região.